A esporotricose animal tem se consolidado como uma zoonose de grande relevância em Santa Catarina, com aumento de casos em regiões do Norte, Alto Vale e Grande Florianópolis, com impacto direto na saúde pública.
Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Santa Catarina (CRMV-SC) desenvolveu um guia técnico voltado aos médicos-veterinários clínicos, reunindo orientações atualizadas sobre diagnóstico, tratamento, prevenção e notificação da doença.
Doença em expansão e risco zoonótico
Causada por fungos do gênero Sporothrix sp., a esporotricose é transmitida principalmente por arranhaduras, mordeduras ou contato com secreções de lesões de felinos infectados. Os gatos domésticos são considerados os principais reservatórios e amplificadores da doença, especialmente em áreas urbanas.
A elevada carga fúngica presente nas lesões cutâneas dos felinos favorece a transmissão para outros animais e também para humanos, reforçando o caráter zoonótico e a importância do controle adequado.
Principais sinais clínicos
Nos felinos, a doença pode se manifestar de diferentes formas clínicas, sendo a cutânea a mais comum, com presença de nódulos, úlceras e lesões crostosas, principalmente na face e nos membros. Em casos mais graves, pode ocorrer disseminação sistêmica.
Em humanos, a infecção geralmente ocorre após contato com animais infectados, levando ao surgimento de lesões cutâneas que podem evoluir ao longo dos vasos linfáticos.
Diagnóstico exige abordagem integrada.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico da esporotricose deve considerar a associação entre histórico clínico, epidemiológico e exames laboratoriais. A citologia é um método rápido de triagem, enquanto a cultura fúngica permanece como padrão-ouro para confirmação.
Exames complementares, como PCR e histopatologia, podem ser utilizados para maior precisão diagnóstica, especialmente em casos complexos.
Tratamento prolongado e acompanhamento contínuo
O tratamento baseia-se no uso de antifúngicos sistêmicos, com destaque para o itraconazol como terapia de primeira escolha. O protocolo terapêutico pode ser prolongado e deve ser mantido por semanas após a remissão clínica completa.
O acompanhamento clínico e laboratorial é essencial, assim como a adesão do responsável pelo animal, fator determinante para o sucesso do tratamento.
Biossegurança e manejo são fundamentais
Devido ao alto potencial zoonótico, o atendimento clínico deve seguir rigorosos protocolos de biossegurança, incluindo uso de EPIs, isolamento do animal e desinfecção adequada de superfícies e materiais.
A orientação aos responsáveis também é parte essencial do controle da doença, com recomendações sobre isolamento do animal, uso de proteção durante o manejo e cuidados com higiene.
Notificação obrigatória fortalece vigilância
Em Santa Catarina, a esporotricose animal é de notificação compulsória, devendo todos os casos suspeitos serem comunicados aos órgãos de saúde. Essa medida é fundamental para o monitoramento epidemiológico, definição de estratégias de controle e proteção da saúde pública.
Prevenção e educação em saúde
Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de equipamentos de proteção, higienização adequada de ferimentos, controle populacional de animais e educação da população sobre os riscos da doença.
O abandono de animais infectados deve ser evitado, pois contribui diretamente para a disseminação do agente no ambiente.
O médico-veterinário desempenha papel central no enfrentamento da esporotricose, atuando no diagnóstico, tratamento, orientação aos tutores, prevenção e notificação dos casos, consolidando-se como agente fundamental na abordagem integrada da doença dentro do conceito de Saúde Única.
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